terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Parem de falar mal da rotina

Tenho uma irmã (Raquel) que adora tanto os livros quanto eu e compartilhamos, às vezes, dos mesmos gostos. Eu também gosto de dar (emprestar, viu?) os livros que tem muito a ver com a nossa história. É por isso que quando ganhei "Parem de falar mal da rotina" pensei que ela estivesse de brincadeira com a minha cara, legal, um livro de crônicas! Bem, mas eu não gosto muito de crônicas! Como não tinha nada melhor prá ler ( me desculpa, Elisa Lucinda, como estava errada e não sabia), folheei algumas histórias e bem, gostei um pouquinho. Quando voltei de viagem e já pronta prá outra (viagem) eu o levei como uma forma de distração, afinal eu iria estudar "Cosmogonia" e precisava de um título prá distrair. Foi aí que eu comecei do começo, e comecei uma enorme aventura, de muita emoção, com direito a lágrimas, muita risada e recital de poesias para as colegas de quarto, porque não resisti depois de ler isso, e não compartilhar com minhas queridas mães e professoras que somos.

Meninos São José
Toda criança me arrebata,
toda criança, por me olhar,
me arregaça as mangas do amor e dele,
desse amor, morro de emoção.
Há nisso mais do que o fato
de criança ser igual flor,
mais do que criança
ser da vida a metáfora das coisas e seu verdadeiro valor.
Vejo José pousando sobre a casa
as asas dele mudam o episódio lar.
Abraço o José em todo riso
e mesmo quando não o tenho no colo todo o tempo...
evento de criança soprando a casa!
Eu fico com as pernas bambas
quando quem me aponta é uma criança.
José é Júlia, também Carolina, Pedro, Clara, Olívia, Antônio, Valentina, Lina, João, Luíza, Nicolau, Juliano, Guilherme, Diogo, Jonas, Mayara, Vinícius, Leon, Natassia,
José é todas as galáxias de meninos,
porque são só verdades, belas verdades,
límpidas eternidades, futuros mundos. Belas!
Tenho vontade de defendê-las das injustiças dos ditos maiores,
dos esticados que,
aprisionados, querem aprisionar.
Por todo o sempre e agora,
toda criança quando chora, respondo
- que foi?
Quem não te tratou direito?
(Toda criança quando chora acho que me diz respeito.)
Quero as palavras delas,
a nitidez sublime das conversas delirantes e sábias,
quero os descobrimentos que trazem em sua transparência natural! José voa na casa e eu pulso no ventre como uma grávida perene, meu Deus,
(todo filho do mundo é um pouco filho meu!)
Como me amolece o coração
barulho som de grito de infância no colégio de manhã!
Como é, para o meu frio,
lã uma mãozinha pequenina dizendo pra mim dos caminhos..., elazinha dentro da minha,
como o dia carregando a noite e seu luar,
e aquela vozinha sem gastar, me pedindo com carinho e desamparo:
me leva lá?
Não mimem crianças ao invés de amá-las,
para não adoecê-las
para não encouraçá-las!
Não oprimam crianças na minha frente,
vou interferir,
vocês vão se danar,
vou escancarar!
Não usem criança na minha presença,
tomarei o partido delas,
não terão minha parcimônia,
não vou compactuar!
Não cunhem nelas a tirania,
eu vou denunciar!
Sou maternal de universo,
mil crianças caminham comigo!
Sou árvore cuja semente se chama umbigo.
Ai... toda criança quando grita mamãe, respondo:
que foi? (Acho que é comigo!)

Mas o mais incrível era a possível ligação do que eu lia, com o que eu estudava, aí eu já queria matar aula (seminário que faço uma vez ao mês) para ler!!!
Obrigada Elisa (e ainda tem o nome de outra irmã, a danada) por esses momentos ma-ra-vi-lho-sos na minha vida.
Ah, irmãzinha, como te agradecer por esse presente?

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